-II-
Finalmente eu tomo coragem e levanto. A casa está silenciosa. O mundo todo parece estranho e silencioso.
O silêncio faz uma pressão nos meus ouvidos. Fecho as janelas abertas da sala e coloco Chico Buarque. Ele canta “Roda Viva” e parece estar conversando comigo.
Gol de algum time, fogos e a água morna nos meus cabelos. Ao longe, Chico canta agora “Cotidiano”. Cultivo a rotina que não permite me acostumar com a presença dele.
Eu choro de novo (ou será que ainda não havia parado de chorar?). Choro. Lembro e esqueço os motivos e continuo chorando.
Daria o mundo para tê-lo ao meu lado. Sonhos não pagam promessas e não há promessa no mundo que mude a realidade. Brigar com a vida não vai mudar as coisas.
Desligo o chuveiro. Bermuda e camiseta da Janis. A vida continua. Eu sinto o cheiro dele, mas só pode ser mentira.
Sento no sofá. Agora o Chico balbucia uma música que não conheço. Meus olhos ficam marejados, dessa vez porque não conhecia aquela música. Como é duro não saber de tudo.
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