sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

É muito chichê falar de amor - Parte V


-V-

Finalmente eu tomo coragem e levanto. A casa está silenciosa. O mundo todo parece uma extensão de mim.
O silêncio me alegra. Abro as janelas e coloco Chico Buarque. Ele canta “Valsinha” baixinho no meu ouvido.
Silêncio e a água nos meus cabelos. Fecho os olhos e me sinto em paz com o mundo naquele momento.
Desligo o chuveiro com a estranha sensação de ter vivido aquele mesmo dia, só que com outros sentimentos. Bermuda e camiseta surrada da Janis.
Sento no sofá. Agora o Chico canta uma que não conhecia. Que alegria não saber de tudo!
Aquele dia tinha tudo para acabar ali, porém a campanhia toca. Quem será?
Levanto e o som dos meus passos tem o som abafado da saudade.
Abro a porta e ele está lá. O cheiro, a pele, o sorriso. Só pode ser mentira.
É verdade.
O oceano dentro do meu peito se agita, convulsiona. Eu daria o mundo para tê-lo aqui. As palavras somem, os sentimentos desesperam.
Lições inúteis: aprendi ali porque é tão clichê falar de amor.

Nenhum comentário:

Postar um comentário